PURIM
 

Purim

PURIM - O QUE É?

O livro de Ester (Meguilat Ester), a base da festa de Purim, conta uma das mais queridas histórias bíblicas. Haman, o vilão da história, desenvolve um plano para aniquilar os Judeus da Pérsia – e este é aprovado pelo Rei Achashverosh. Através de uma complexa seqüência de eventos, a Rainha Ester, judia, e seu pai adotivo, Mordechai, conseguem interceder diretamente com o rei, estragando o plano diabólico de Haman, e destruindo-o, junto com sua família e outros inimigos do Povo Judeu. É então proclamado o feriado de Purim.

Mas... Purim – a Festa dos Sorteios – parece repleta de contradições. Numa hora, os Judeus estão sem ajuda e desesperados de medo; em outra, estão lutando contra seus inimigos e vencendo-os. Milagres acontecem, e o nome de D’us nem é citado. EM Purim, os Judeus reafirmam sua lealdade ao Judaísmo, e alcançam novos níveis espirituais. Mas então vem as máscaras, paródias, banquetes e bebidas. Purim nos ensina a ver através das contradições da vida, e perceber que elas são todas parte do plano. Muito antes de Haman escrever seu decreto de destruição, uma rainha é, deposta para dar passagem a Ester, que no fim das contas salva os Judeus. O remédio vem antes da doença. Purim significa sorteios – como na loteria. Mas a seqüência de eventos sugere qualquer coisa menos sorte.

Resumindo, Purim é a festa da unidade judaica. Assim como as contradições de Purim desembocam num tema unificado – o Povo Judeu deve ser unido, “be’lev echad” – em um só coração -, para comemorar.

O Gaon de Vilna escreveu que a Torá jamais poderia ter sido aceita por uma nação dividida – a nação teria que teria que ser “Be’lev echad, ke’guf echad” – como um só coração num só corpo. Assim como os Judeus se uniram no Monte Sinai, eles o fizeram em Purim. Com sua alegrai, “kimu vekiblu haiehudim” – “os Judeus confirmaram e aceitaram” (Meguilat Ester 9:27) manter o Judaísmo, com ainda mais entusiasmo que o Monte Sinai (Talmud Shabat 88a).

Todas as quatro observâncias de Purim nos levam à união. Primeiro, sentamos todos juntos para ouvir a leitura da Meguilá. Depois, a mitzvá de Matanot LaEvionim – presentes para os pobres – une os pobres e os ricos. Mishloach Manot – enviar guloseimas – reforçar a ligação entre nós e nossos amigos. Mas ainda não é suficiente.

Finalmente, para separar as barreiras que nos separamos, nós bebemos. A bebedeira da refeição de Purim deve nos libertar de nossas inibições, não para nos levar à selvageria, mas para nos permitir mostrar nossos mais interiores e profundos sentimentos de amor uns pelos outros. Ao bebermos (com moderação), diminuímos as fronteiras que nos separam uns dos outros, para nos sentirmos ainda mais como uma unidade.


PURIM - A PALAVRA

A origem da palavra ‘Pur’ aparenta ser persa. Como escrita na Meguilat Ester, significa ‘sorteio’. Purim é o plural da palavra ‘Pur’, e, portanto significa ‘sorteios’. A festa se chama Purim devido aos sorteios promovidos por Haman.
A palavra Pur também está relacionada com a palavra hebraica ‘porer’, que significa desmantelar, quebrar, destruir, quebrar em pedaços. A palavra ‘hefir’, derivada do verbo ‘pur’ tem sentido de cancelamento, quebra de algo permanente, como a violação de uma aliança, o fim de um casamento ou uma grave.

O significado mais antigo para a palavra ‘pur’ é pequenos fragmentos de pedra ou cerâmica’. Este uso bastante antigo da palavra tem sua origem no costume antigo de se fazer sorteios utilizando pequenas pedras, ou pedaços, numa urna. Conhecemos esta maneira de sortear-se através da Bíblia. No livro de Josué, foi descoberto que Achan violou seu cherem em Jericó apenas depois que toda a população passou por sorteios diversos.

Um uso semelhante prevaleceu na Grécia, na cidade de Atenas. Para determinar quem era indesejável na cidade e deveria ser expulso, os nomes eram gravados em pedaços de cerâmica (ostracon), e lançados numa urna. Esta é a origem da palavra ostracismo, que significa excluir, por consentimento geral, da sociedade e de privilégios.

Haman escolheu fazer sorteios para determinar o dia e mês para atacar os Judeus. Os antigos persas acreditavam que os signos do zodíaco afetavam o destino do homem, e creditavam muita honra aos astrólogos e magos. Para muitos pesquisadores, o sorteio não resultou no mês de Adar por acaso, mas intencionalmente, já que uma importante festa persa da deusa Anahita era celebrada no meio deste mês, e o interesse de Haman era deixar o povo contra os Judeus justamente durante estes dias de alegria e entusiasmo.

A palavra ‘pur’ tem significado semelhante ao da palavra ‘payis’ – loteria, tão difundida em Israel. A Mishná relata que nos serviços do Templo, em Jerusalém, os Cohanim competiam pelas tarefas mais importantes. Certa vez aconteceu que dois sacerdotes correram para fazer algo, mas um puxou o outro, que caiu e quebrou a perna. Ficou tão decidido que aquela, e outras tarefas, teriam seus responsáveis definidos apenas através de um sorteio feito numa urna. Nos tempos modernos, quando se procurava uma palavra para a loteria israelense, a palavra ‘payis’ foi escolhida. Esta palavra surgiu no vocabulário hebraico cerca de 600 após a palavra ‘pur’, mas foi preferida para que a palavra ‘Purim’ permanecesse identificada apenas com a festa.

Uma palavra recentemente introduzida na língua hebraica é "purimon", uma pequena festa parecida com Purim. Com o tempo, ‘Purim’ se transformou num símbolo de salvação para os Judeus, e diversos ‘Purims’ foram estabelecidos para marcar dias em que os Judeus foram salvos em diversos lugares do mundo de situações de perigo. Esses ‘Purims’ especiais eram chamados segundo o local onde o milagre havia acontecido, por exemplo: Purim de Frankfurt, Purim de Saragoça, Purim de Casablanca, etc.


PURIM - OS PERSONAGENS DA MEGUILÁ ESTER

A heroína do Livro de Ester

Tão logo é escolhida por Achashverosh como sua rainha, passa a ser chamada de rainha Ester na Meguilá. A Meguilá descreve-na como uma mulher de valor. Sua inteligência a ajuda a criar conflito, tensão e ciúmes entre Achashverosh e Haman.

Graças a isso, o milagre aconteceu, e Ester pode salvar os Judeus da Pérsia da destruição. Segundo a Meguilá, o nome original de Ester era Hadassa. Seu pai, Avichail, era tio de Mordechai. Quando os pais de Ester morreram, Mordechai a criou em sua própria casa.

Mordechai, o hebreu
A origem do nome é babilônia, da divindade babilônica Morduk, mencionada no escritos do período persa. Sabe-se que os Judeus da Pérsia costumeiramente davam nomes babilônios a seus filhos. Mordechai era da tribo de Benjamim. Sua família, chefiada por Kish, foi exilada da Terra de Israel com Yeoachin, rei de Judá, em 597 AEC, cerca de 100 anos antes de Achashverosh chegar ao poder. Kish era o pai do rei Shaul, portanto Mordechai era parente deste rei, que lutou contra os amalequitas e seu rei Agag (Samuel I 15). Segundo os sábios, Haman era um dos descendentes de Agag. Assim, após várias gerações, a história permitiu o encontro de descendentes de inimigos históricos – Mordechai e Haman. O livro de Ester descreve a continuação do conflito histórico, e sua conclusão bem sucedida com a vitória do Hebreu sobre o Amalequita.

Achashverosh
Rei da Pérsia e Média, usualmente identificado como Xeres, que reinou 486 a 465 AEC. Achashverosh é descrito como intolerante com os povos que habitavam sob seu controle. No Livro de Ester é retratado como omisso e inconstante. Sua corte real possuía uma atmosfera de desperdício, vaidade, extravagância, com festas nas quais o vinho fluía livremente – uma atmosfera alheia ao Judaísmo. Seu reinado é mostrado como aleatório, com decisões tomadas com frivolidade e ambiente de muita embriaguez. Achashverosh era filho de Dario, neto de Ciro, o rei que reinava quando os Judeus construíram o segundo Templo.

Haman, filho de Hamdata, o Agaguita
O primeiro-ministro de Achashverosh. Propôs ao rei destruir o Povo Judeu do reino em um único dia, 13 de Adar. Segundo os sábios, Haman era temeroso e cauteloso, apesar de a Meguilá retratá-lo como poderoso e astuto.

Vashti
Bela esposa de Achashverosh, que recusou a participar de um banquete promovido por Achashverosh para o povo de Shushan. Como punição, foi banida do palácio e Ester foi coroada em seu lugar.

Bagtan e Teresh
Dois dos eunucos do rei, que guardavam a porta do palácio e planejavam assassinar o rei. A trama foi descoberta por Mordechai, que contou a Ester. Ester, por sua vez, relatou a trama ao rei em nome de Mordechai. Os dois eunucos foram executados, e a boa índole de Mordechai foi registrada nas crônicas do rei. O mérito desta boa índole ajudou Mordechai a se aproximar do rei, e, junto com Ester, salvar os Judeus da destruição.


PURIM– COSTUMES

Mishloach Manot (shelakhmones) e Presentes para Pobres
O costume de enviar presentes (Mishloach Manot), deixa sua marca especial em Purim. Ao longo de Purim, homens e mulheres, jovens e crianças andam pelas ruas, carregando pratos, cestas e bandejas cheias de guloseimas de Purim escolhidas e cobertas com um guardanapo. Muitos destes “mensageiros” estão em fantasias e isto acrescenta uma beleza especial à atmosfera de Purim.

Em Jerusalém, era habitual que meninas comprometidas enviassem Mishloach Manot especial, grande e suntuoso aos seus futuros marido; bolos congelados, biscoitos e confeitaria eram formosamente organizados em bandejas redondas e gigantescas. Na Israel contemporânea, há formas de Mishloach Manot familiares, por bairro e nacionais. Elas são enviadas, por exemplo, aos soldados das FDI que servem de fronte, para os assentamentos nas fronteiras e para os necessitados. Crianças também trocam Mishloach Manot simbólicos nas escolas.

Fazendo barulho na Menção do Nome de Haman

Há uma atmosfera especial na sinagoga durante a leitura da Meguilá. Muitos dos fiéis trazem sua própria Meguilá kasher, escrita em pergaminho, de acordo com a halachá – por temer que, caso contrário, eles possam perder uma palavra ou outra da leitura; eles podem assim suprir silenciosamente a palavra perdida em sua própria Meguilá, cumprindo a mitzvá (preceito) de ouvir a Meguilá em sua totalidade.

Crianças com vários tipos de fantasias fazem todos os tipos de barulho – assobios, reco-recos e assim por diante, para abafar o nome de Haman sempre que o leitor o pronuncia. Escutam-se batidas de varas, chocalhos e barulhos explosivos. O tremendo tumulto acrescenta-se à alegria geral. O leitor espera até o término do barulho para continuar a Meguilá, que lê até o próximo “Haman”.

Outro costume era escrever o nome de Haman no sapato e pisar forte até o nome do opressor ser apagado. O costume de fazer barulho quando o nome de Haman é mencionado é muito antigo e difundido pela Diáspora judaica. Alguns rabinos rígidos proibiram o costume, pois perturba a leitura da Meguilá, mas a atmosfera de Purim festiva triunfou e o costume se tornou profundamente arraigado ao folclore de Purim.

Fantasias
O costume de usar fantasias em Purim é extremamente antigo. Era particularmente observado na Itália. Já há quatrocentos anos atrás o Rabino Yehuda Mintz escreveu em sua “Responsa” que deveria ser permitido aos homens vestirem-se de mulheres em Purim, embora os rabinos Ashkenazim proibiam isto absolutamente. O Rabino Yoel Sirkis, da Polônia, opunha-se amargamente a esta permissão, que ia contra o versículo do livro Deuteronômio (22:5): “uma mulher não usará o artigo de vestuário de um homem, nem um homem vestirá o artigo de vestuário de mulher”.

Ele também proibia aos homens máscaras que impedissem que fossem reconhecidos, proibição esta tanto para Purim quanto para casamentos.

Nos nossos tempos, a revelação externa mais distinta de Purim é o uso de vestidos caprichados, principalmente, pelas crianças, embora os adolescentes e adultos às vezes se vestem a rigor em público ou participem de bailes de máscaras.

As Mitzvot de Purim
Jejuamos no dia anterior a Purim para recordar o dia de jejum e oração que os judeus observaram antes de sua vitória. Em Purim há quatro mitzvot a serem cumpridas:

1-
Ouvir a Meguilá – A fim de reviver os eventos milagrosos de Purim, escutamos duas vezes a leitura da Meguilá. Uma vez após a Tefilá de Arvit e outra no período diurno do dia seguinte.
   
2-
A refeição de Purim – Como em todas as festas, comemoramos Purim com uma refeição festiva especial, na qual família e amigos se reúnem e se alegram no espírito da festa.
   
3-
Presentear amigos com alimentos – O milagre de Purim ocorreu, em parte, graças à amizade e união do povo judeu. Esse fato é comemorado através do envio de pelo menos dois tipos de alimentos prontos para consumo a pelo menos um amigo.
   
4-
Dar donativos à no mínimo dois pobres – Nas duas últimas Mitzvot, aquele que incrementar será louvado.


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